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Vida pós-pandemia: os limites entre saúde e adoecimento no trabalho


Quantas vezes você já reclamou de uma segunda-feira? Esperou ansiosamente pelo final do expediente ou desejou que uma reunião fosse um e-mail? Acontece que o seu futuro no trabalho não é mais uma repetição dos dias anteriores.

O novo coronavírus está proporcionando uma mudança histórica a nível global. Essa transformação se dará em diversos campos, alterando consideravelmente nosso comportamento como indivíduos, cidadãos, consumidores e trabalhadores.

A digitalização e o trabalho remoto precisaram ser adotados na velocidade da luz por muitas organizações, impactando na gestão e na maneira de trabalhar de todas as pessoas. Reestruturações, restrições, readaptações, higienização, delivery, e-commerce e inteligência artificial ou portas fechadas?

Esse cenário de incertezas, certamente, não é confortável para nenhum de nós. É natural do ser humano querer saber o que vai acontecer nos próximos dias, meses e anos. Nos interessamos por saber desde a previsão do tempo, pesquisas pré-eleições, estatísticas econômicas, como ficaremos ao envelhecer, tendências mundiais e até mesmo as previsões do horóscopo. Não saber nada sobre o dia de amanhã gera ansiedade e angústia. Mas então, como adotar atitudes saudáveis e positivas em relação ao trabalho?

Entender o cenário: o "novo normal" e seus efeitos irremediáveis

De acordo como o report The new Low Touch Economy - How to navigate the world after Covid-19, a economia será moldada por novos hábitos e regulamentos com base na interação reduzida e restrições mais rígidas de viagem e higiene. A interrupção atual mudará a forma como comemos, trabalhamos, compramos, nos exercitamos, gerenciamos nossa saúde, socializamos e utilizamos nosso tempo livre. Alguns deles já estamos percebendo mais rapidamente como: adoção do trabalho remoto; busca do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal; compras via e-commerce e uso da telemedicina.

Para falarmos especificamente dos pontos relacionados ao mundo do trabalho, destacamos cinco mudanças comportamentais abordadas no relatório:

Mais ansiedade, solidão e depressão: infelizmente, muitas pessoas se sentirão mais isoladas, perderão o emprego, serão confrontadas com doenças ou enfrentarão problemas de relacionamento.

Em decorrência disso, haverá uma grande necessidade de terapia remota e um aumento na demanda por animais de estimação. Além disso, jogos e ferramentas sociais on-line também crescem e as ferramentas existentes podem ter novos usos, por exemplo: namoro on-line via Zoom.

Trabalho otimizado a partir de configurações domésticas: o lar assume um novo significado e as pessoas descobrem novas maneiras de equilibrar suas necessidades de vida profissional dentro dos limites do seu espaço.

Consequentemente, empresas com pouco dinheiro reduzirão espaço no escritório e infraestrutura. As pessoas irão adquirir equipamentos avançados de vídeo e áudio para essa alteração no estilo de trabalho. Novas políticas e regras nos contratos com colaboradores serão necessárias, especialmente, porque se os limites não forem bem definidos pode haver um excesso de horas trabalhadas.

Tensão e conflitos entre empregador, colaborador e equipes: muitas organizações e pessoas estão operando em modo de sobrevivência. Dessa forma, muitos podem violar contratos ou regulamentos ao longo do caminho.

As batalhas legais serão destaque em todos os lugares. Ao mesmo tempo, advogados estão mudando para uma maneira digital de trabalhar. Isso vai acionar mais ferramentas para automatizar o trabalho legal e operar em escala.

Níveis alarmantes de desemprego global: muitos serão forçados a repensar sua carreira, pois as vagas de emprego tradicional entre os pares de mercado, que enfrentam as mesmas dificuldades, não será uma opção.

Os treinamentos e capacitações on-line estarão em alta. Desde que haja um filtro de qualidade e quantidade de conteúdo consumido, a atualização se torna mais fácil e a reinvenção uma consequência natural. Da mesma forma, muitos podem decidir empreender para aumentar seu orçamento. Isso trará uma experiência valiosa, assim que a economia se recuperar.

Nossa identidade é mais do que nosso trabalho: a profissão é uma importante parte de quem somos. Ao misturar trabalho e vida privada, essa camada superficial de separação desaparece. Só agora, muitos estão conhecendo seus colegas de maneira profunda, um pouco mais a cada transmissão ao vivo do quarto.

Em tempos normais, a moda é um elemento que comunica a identidade. Quando há menos interação física, a alteração digital de sua imagem com o vídeo pode substituir parcialmente isso, a exemplo de filtros do Instagram. Mais experiências com alter egos digitais aparecerão.

Repensar o trabalho: desemprego e automação

Antes da pandemia, a automação tinha o propósito de substituir, gradualmente, o trabalho humano em diversos empregos, mas o foco era cortar custos de mão de obra e melhorar o lucro das empresas. Agora, o medo de perder o emprego para as máquinas abre espaço à medida que as pessoas focam nos benefícios de minimizar o contato humano. A saúde e a segurança colocadas como prioridade tornam os robôs aliados e não inimigos.

O artigo do The New York Times "Robots Welcome to Take Over, as Pandemic Accelerates Automation" traz alguns exemplos de como isso está acontecendo em diversos setores. Na indústria de reciclagem dos Estados Unidos, um número crescente de cidades está suspendendo os serviços por medo de que os trabalhadores contraiam o coronavírus uns dos outros enquanto selecionam garrafas de água, recipientes e caixas de alimentos usados. A solução encontrada foi utilizar robôs que usam inteligência artificial para filtrar material reciclado, eliminando o lixo.

Com os escritórios fechados, o PayPal recorreu aos chatbots, usando-os para 65% das consultas de clientes baseadas em mensagens nas últimas semanas. O PayPal também está usando serviços de tradução automatizada para que seus representantes que falam inglês possam ajudar os clientes que não falam o idioma. O YouTube, com menos pessoas em seus escritórios em todo o mundo, também está deixando por conta das máquinas grande parte da moderação de conteúdo.

Muitos empregos não eram considerados de risco até esse momento de nossa existência, a exemplo de um operador de caixa de supermercado. A pergunta não será mais "por que automatizar?”. Mas "o que mais poderia ser automatizado?".

Segundo o artigo da Forbes "Expect More Jobs And More Automation In The Post-COVID-19 Economy", a automação e a IA aumentarão a produtividade e o crescimento econômico, mas milhões de pessoas em todo o mundo podem precisar mudar de profissão ou aprimorar suas habilidades. O Fórum Econômico Mundial (WEF) estimou que as profissões emergentes resultantes da automação poderiam representar 6,1 milhões de empregos em todo o mundo entre 2020 e 2022.

Há alguns anos, o autor do livro "Robots Will Steal Your Job, but That's Ok", Federico Pistono, já trazia reflexões sobre como olhar para uma mudança radical em nossa relação com o trabalho e construir novos significados: "A tecnologia nunca foi criada para aumentar a produtividade e o crescimento, para que possamos trabalhar por longas horas em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer dispositivo. Isso é insano. A tecnologia foi feita para melhorar nossas vidas".

Segundo o historiador Yuval Harari, em seu livro 21 Lições para o Século XXI, a evolução da inteligência artificial e a transformação da nossa relação com as práticas laborais é inevitável. Sendo assim, precisamos nos concentrar, enquanto humanidade, na busca pela única e valiosa característica que nos distingue hoje (e sempre) das máquinas, nossa capacidade de ter consciência e acessar emoções. A ética, movida pela consciência que é regida pelos afetos, é um atributo incontestavelmente humano. Cada vez mais, precisamos nos tornar mais humanos para alcançar novas posições em relação ao sentido de estarmos vivos.

Não sabemos como a pandemia global afetará os empregos a longo prazo, mas é seguro supor que haverá aceleração na automação, mantendo trabalhadores humanos em posições mais humanas, ou seja, utilizando aquilo que as máquinas não têm: consciência.

Transformar-se: sociabilidade e reinvenção

O aumento dos casos de ansiedade e depressão já estão sinalizados em diversos cenários que estudam as consequências da pandemia. O medo de contrair a doença ou de que alguém querido seja contaminado, a necessidade do isolamento social, a exposição forçada ao convívio familiar, a solidão, a instabilidade financeira, a frustração por planos adiados, a mudança de rotina e muitos outros fatores podem ser desencadeantes ou agravar quadros psicológicos.

Para tentar minimizar esse impacto, é preciso entender a necessidade de uma nova configuração como indivíduo e como trabalhador. Nesse momento, precisamos assumir uma postura de acolhimento com a necessidade de transformação e não de "voltar ao normal".

A nova realidade não tem prazo definido. Talvez, por isso, estamos tentando com todas as forças "normalizar" tudo. Máscaras coloridas e divertidas, vidrinhos de álcool gel, memes, conversas com os amigos, os chats com os clientes, as comemorações on-line e milhares de lives, webinars e cursos on-line... tudo normal. Nesse cenário, que coloca à prova nossa saúde mental, controlar as emoções, exercer a empatia e manter a flexibilidade são enormes desafios diários.

Em entrevista para o Nexo Jornal, a psicanalista e filosofa, Viviane Mosé, diz que a instabilidade é condição da vida: "Vivemos um choque grave. Daqui sairemos pessoas mais maduras, mais fortes, afinal estamos sendo obrigados a nos ver, ao invés de nos relacionarmos com aquilo que acreditamos ou sonhamos ser. Sim, precisamos de alguma rotina no isolamento para não enlouquecer, mas o que mais precisamos agora é aprender a não agir, a não se impor. É preciso incorporar algum grau de silêncio na alma. Temos que aprender a parar, este é o maior desafio. E, quem, sabe aprender a lidar com a instabilidade, com a mudança, como fazem aqueles que se arriscam, que ousam".

É o momento de repensar o nosso propósito como indivíduos e nossos novos papéis dentro da sociedade e das organizações. Controlar aquilo que está dentro de nossas possibilidades, entender o nosso biorritmo para enfrentar a dor, a tristeza e a reatividade.

Rever nossos hábitos de consumo, valorar nossas relações e preservar nossa saúde, percebendo-a enquanto escolha para caminhos de bem-estar, alegria e criatividade é extremamente importante. Tudo está mudando e quase nada está em seu controle, mas o autocuidado pode ser a chave nesse momento. Cuidar de si mesmo, voltar o olhar para o seu interior e tudo que o cerca pode trazer mais tranquilidade do que só analisar os cenários externos.

O Sócio-Diretor da Nômade, Daniel Caminha, que é psicólogo, especialista em Análise Institucional e Pensamento Sistêmico, lembra que: "Em contextos de emergência, a colaboração coletiva começa pela capacidade individual de manter-se saudável. Sabemos que o conceito de saúde não é algo estável e perene, temos altos e baixos, mas precisamos estar atentos para manter um nível de qualidade, só assim conseguimos ajudar os outros. Por isso, é fundamental assumir a responsabilidade individual e ser protagonista na busca de um bem-estar coletivo".

Com olhos atentos a esse cenário, a Nômade desenvolveu soluções digitais para tratar de temas urgentes da saúde organizacional e do desenvolvimento dos negócios de forma objetiva. Dessa forma, a organização pode ser mais ativa ao proporcionar atividades e estímulos para o bem-estar dos seus colaboradores. Fique à vontade para conversar com a gente para expandir essas possibilidades e compreender como implementar essas soluções na sua empresa.

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