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O recado da BlackRock nos últimos anos é claro: propósito e sustentabilidade andam juntos

22 Jan 2020

 

Por Daniel Caminha, sócio-diretor do Estúdio Nômade

 

 

Todos os anos Laurence D. Fink, CEO da maior empresa de fundos de investimento do mundo, a BlackRock, escreve uma carta com a sua percepção de tendências para os negócios. Para compreender plenamente os apontamentos deste ano, focados em sustentabilidade, é necessário relembrar seus recados nos últimos anos.

 

Em 2018, ele escreveu um depoimento muito importante sobre sua profunda constatação de que empresas que não tivessem um propósito valeriam menos. Portanto, como um estrategista investidor, ele retiraria seu capital dessas organizações.

 

Muitos acharam que seria uma mensagem passageira, modista ou algum tipo de devaneio do presidente. Eis que em janeiro de 2019 ele volta a escrever, reafirmando tudo o que tinha dito e ainda com o adendo de que estava preocupado, pois percebia que os executivos não  tinham compreendido e, inclusive, se posicionaram de forma reativa, não dando a devida importância para suas reflexões sobre o Propósito.

 

Nesse material do New York Times, o jornalista comenta sobre essa reação:

 

 

"A year after his annual letter to chief executives urged them to run their companies with the social good in mind, the BlackRock chief Larry Fink said they must step into a leadership vacuum.”

NY Times, Jan. 17, 2019

 

Na mensagem ele fala de "leadership vacuum". Uma falta de líderes para sustentar esse processo em direção a negócios com propósito.

 

"Eu escrevi no ano passado que cada empresa precisa de uma estrutura para lidar com esse cenário difícil e também deve começar a materializar claramente o seu objetivo no modelo de negócios e na sua estratégia corporativa. O propósito não é um mero slogan ou campanha de marketing; é a razão fundamental de uma empresa. É o que ela faz todos os dias para gerar valor para as partes interessadas. O propósito não é só a busca pelo lucro, mas é a força motriz para conquistá-lo."
Larry Fink, Jan. 2019

 

Nesse mesmo ano de 2019, o Financial Times, um dos mais importantes jornais de business do mundo, lança o editorial especial: "NEW AGENDA" o qual propõe um ambiente de reflexão e debate sobre um novo capitalismo.

 

 

"Free enterprise capitalism has shown a remarkable capacity to reinvent itself. At times, as the historian and politician Thomas Babington Macaulay wisely noted, it is necessary to reform in order to preserve. Today, the world has reached that moment. It is time for a reset.” 

Lionel Barber, Chief Editor

 

Agora em 2020, Larry Fink volta a se pronunciar. Dessa vez, traz a questão da sustentabilidade para a vitrine, seguindo sua mensagem de alerta para as empresas que precisam olhar para seu comprometimento com a permanência da vida.

 

 

Conheça a sequência de cartas:

2018                2019                2020 

 

 

Pois bem, a reflexão que eu faço, seguindo muitos dos aprendizados desses 11 anos como sócio-diretor do Estúdio Nômade é a seguinte:

 

O mundo ouviu falar primeiro em sustentabilidade, que veio forte nos anos 90. Agora, nos últimos 5 anos, se começou a falar sobre propósito. Esses dois conceitos estão intimamente conectados. Sustentabilidade é uma atitude crítica em relação a como garantir maior qualidade de vida para as próximas gerações. Um cuidado com os impactos negativos em relação à nossa existência. Propósito é um olhar interno para responder à pergunta: "qual é a real relevância da existência da nossa empresa?".

 

"Ser sustentável" ficou muito atrelado a práticas de preservação ou ou cuidado com o meio ambiente, na ideia de compensação, ou melhoria de eficiência e uso dos recursos naturais. Enquanto, "saber o seu propósito" ficou muito relacionado a ter e respeitar valores e princípios de forma clara, sendo congruente nas relações e escolhas. Ora, a questão é simples. Até agora, na maioria dos casos, os negócios existiam para explorar da sociedade uma lucratividade, oferecendo qualquer coisa que ela precisasse, sem se perguntar os efeitos disso.

 

No momento que as empresas passam, no mínimo, a questionar a relevância e o sentido do que fazem, passam a se aproximar de um comprometimento com questões que importam para um maior número de pessoas. Passam a assumir que o que elas fazem está relacionado com uma necessidade real de mundo e com a necessidade de algum grupo social. Ao se vincular a uma causa, uma empresa passa a ter mais consciência da sua relação com o mundo e, portanto, mais cuidado com suas ações. Dessa forma, fica mais atenta e poderá começar a tomar escolhas baseadas no seu comprometimento com a causa do que apenas para seguir "vendendo".

 

Pois bem, propósito e sustentabilidade são irmãos. Um precisa do outro para que as atitudes sejam congruentes. Temos muito o que aprender ainda, mas uma coisa é certa: se a sua empresa não pensa em "por que ela existe e o quais são os efeitos da sua existência" ela vai cada vez mais perder valor.

 

Para finalizar, abaixo, fiz um recorte da última carta de Fink, mostrando como ele próprio faz essa conexão íntima entre sustentabilidade e propósito e como devemos atentar para as mudanças estruturais de um novo mundo, consciente das mudanças climáticas.

 

"[...] Será que as cidades serão capazes de suprir as necessidades de infra-estrutura à medida que o risco climático muda o mercado de títulos municipais? O que acontecerá com as hipotecas de 30 anos – um pilar fundamental das finanças – se os credores não poderem estimar o impacto do risco climático para um horizonte tão longo, e o que acontecerá com as áreas afetadas por enchentes ou incêndios se não houver um mercado de seguros viável para esses eventos? O que acontece com a inflação, e por sua vez às taxas de juros, se o valor dos alimentos aumenta devido à seca ou às inundações? Como podemos modelar o crescimento econômico se os mercados emergentes vem sua produtividade cair como resultado das temperaturas extremamente altas e outros impactos climáticos?

 

[...] Os investidores estão cada vez mais considerando estas questões e reconhecendo que o risco climático é um risco de investimento [...]

 

[...] Nossa convicção de investimento é que os portfólios integrados com a sustentabilidade e clima podem proporcionar melhores retornos ajustados ao risco para os investidores [...]

 

[...] Temos uma série de iniciativas para posicionar a sustentabilidade no coração da nossa estratégia de investimento. Estas incluem: fazer da sustentabilidade uma parte integrante da construção do portfólio e da gestão de risco; desinvestir daqueles com alto risco de sustentabilidade, como os produtores de carvão para termoelétricas; lançar novos produtos de investimento que filtrem os combustíveis fósseis; e fortalecer nosso compromisso com a sustentabilidade e a transparência em nossas atividades de gestão de investimentos […]

 

[...] Os governos e o setor privado devem trabalhar juntos para fazer uma transição justa e equitativa – não podemos deixar partes da sociedade, ou países inteiros em mercados em desenvolvimento, para trás enquanto caminhamos em direção a um mundo de baixa emissão de carbono […]

 

[...] Como parte desta responsabilidade, a BlackRock é um dos membros fundadores do Força Tarefa Sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD) […]

 

[...] Acreditamos que todos os investidores, juntamente com os reguladores, seguradoras e o público, precisam de uma imagem mais clara de como as empresas estão lidando com questões relacionadas com a sustentabilidade. Esses dados devem ir além das questões climáticas e se estenderem a questões sobre como cada empresa contribui, como a diversidade da sua força de trabalho, a sustentabilidade da sua cadeia de suprimentos ou como protege os dados dos seus clientes. As perspectivas de crescimento de cada empresa são indissociáveis da sua capacidade de operar de forma sustentável e servir todo o conjunto de partes interessadas [….]

 

[...] A importância de servir as partes interessadas e integrar o propósito está se tornando cada vez mais fundamental para que as empresas entendam o seu papel na sociedade. Tal como escrevi em cartas anteriores, uma empresa não pode alcançar lucros a longo prazo sem ter um objetivo e sem considerar as necessidades de uma ampla gama de partes interessadas […]"

 

Destaques da carta de Larry Fink, 2020

 

Para ver o texto completo, acesse aqui.

 

 

 

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