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Como você se mantém criativo?

25 Jun 2018

 

 

Podemos dizer que o trabalho assume uma parte significativa de nossas vidas, sendo algo de extrema importância. Faz parte, até, da nossa própria identidade e, na melhor das hipóteses, de um propósito compartilhado. Assumimos um compromisso muito maior do que apenas gerar renda e, portanto, é compreensível dizer que a motivação para realizar o trabalho deve vir não de uma obsessão, mas de uma relação de paixão, foco e felicidade com o que se faz. Neste mês, tivemos a oportunidade de aprender com o educador Charles Watson sobre processos criativos e a paixão inerente a este processo.  Compreendendo que o que nos torna de fato criativos na nossa área de atuação é a intimidade que geramos com o processo, pois, criatividade é sobre envolver-se, ser curioso e estar disponível para acessar e transformar-se a cada instante.

 

Criatividade, de acordo com Charles, é fruto de um intenso trabalho e disciplina. Não é sobre criar apenas quando há inspiração durante picos de energia, e sim sobre manter-se sempre efervescente, em movimento, por meio da disciplina de estar sempre produzindo. O que, por sua vez, não é sinônimo de estar o tempo todo envolvido incansavelmente com o trabalho, mesmo amando o que faz. É  buscar meios de informações, novidades, conversas, que mantenham o platô de energia sempre no seu pico.

 

"O mundo se revela na medida que você o questiona." Charles Watson​

 

O importante exercício de ver o mundo através de diferentes olhares contribui para que a mente esteja perceptiva, para que lhe ocorram insights criativos. O meio favorável para receber insights é como a terra boa, arada para o plantio: ela está propícia para receber frutos, pois nela dedicou-se uma energia. A intuição para a criação e resolução de problemas vem por conta do investimento de conhecimento tácito na sua área de interesse, que refina o olhar, tornando a pessoa mais perceptiva.  

 

"Stop worrying about big deep things" escreveu o artista conceitual Sol LeWitt em uma carta para a artista Eva Hesse. "You must practice being stupid, dumb, unthinking, empty. Then youʼll be able to DO". A carta escrita pelo artista reforça um aspecto importante do processo criativo: tentativa e erro. O fazer com intensidade e a resiliência no trabalho estão muito relacionados à paixão pelo que se faz, que reflete no desapego do perfeccionismo, do fracasso e do mito da inspiração para criar. Socialmente, o erro e o fracasso carregam conotações negativas, quando na verdade, além de um exercício de criação, funcionam como um desvio de expectativas. Abraça-se, portanto, a importância e força das ideias aparentemente insignificantes como parte do processo e como possíveis caminhos que levam à inovação, uma vez que  pensarmos que a inovação não seria uma inovação se estivermos esperando por ela.

 

Foto da carta escrita pelo artista Sol LeWitt para Eva Hesse.

 

 

"Se você estiver apaixonado pelo que faz, você vai entender a necessidade de estar em movimento", Charles Watson.

 

 

Quem gosta do que faz, naturalmente vai ser curioso e inquieto, não se satisfazendo com informações datadas, mas sempre buscando o novo. Estando disponível. Nós Nômades somos assim. Sempre curiosos. E, por isso, queremos compartilhar um pouco dos nossos processos criativos individuais, e como buscamos estar sempre com a mente em movimento, abertos para novas oportunidades, cada um de uma forma única.

 

A Aline, nossa designer, acredita que a curiosidade é a maior fonte de criatividade, pois essa busca e essa sede por informação contribui para manter a mente em movimento. Assim como o Felipe, nosso financeiro, que destaca a importância da atualização constante de informações, especialmente na sua área, em que semanalmente podem ocorrer significativas alterações de expectativas de mercado. Mas ficar atrelado a um ramo de pesquisa com um único ponto de vista não nos basta, buscamos informações e novas descobertas em áreas de atuação diferentes das nossas.

 

Tanto o Aron, administrador e sócio da Nômade, quanto o Caio, responsável pela nossa comunicação, têm um processo criativo de pesquisa mais direcionado para a leitura. Ler sobre assuntos diferentes, desde tecnologia, arte, design, os auxilia a estar sempre refletindo sobre coisas e possibilidades. Exercitando o olhar alternativo. Assim como o hábito de manter uma frequência de escrita, seja como forma de colocar ideias no papel e delas extrair outras questões ainda não formuladas, ou como prática científica para organizar o processamento dessas informações.

 

O Ismael, a Aline e eu (Ana), trouxemos ao design da Nômade uma bagagem de vivências com atividades manuais realizadas desde a infância. O fazer manual, seja por meio  do desenho, do artesanato ou da prototipação, tem relação direta com a tangibilização de ideias, e por consequência, da tentativa e erro. Materializar as alternativas que estão no campo de ideias, passando o abstrato para o físico, de forma a ver o funcionamento, validá-lo, e se necessário, refazer e ir além do que o esperado.

 

O fazer manual que aqui trazemos também contribui para um fazer mais visual, que carrega um envolvimento com arte e expressão. Exercitando a mente criativa por meio  do consumo da arte, do seu entendimento, de visitas em museus e também da curiosidade sobre outras áreas mais técnicas, como arquitetura. Qualificando seu conhecimento através de metodologias que estimulam e organizam o pensamento visual por meio do entendimento de processos e experiências. A alimentação da mente criativa para gerar repertório é essencial para a criação das visualidades da Nômade. Acompanhar sites e realizar constantes coletas visuais por meio  de ferramentas como Pinterest e Niice auxiliam a identificação de padrões, que quando exercitados, podem ser entendidos e explorados criativamente.

 

O que se entende como manter-se criativo também exige um importante momento de “esvaziar” a mente das nossas preocupações, especialmente quando pensamos o quanto de informações recebemos e as diversas responsabilidades e pressões com as quais temos que lidar. Para esse exercício, fazer atividades que não  necessariamente envolvam criatividade pode ajudar. A Larissa, gerente de projetos, acredita em preparar e organizar a mente, mise en place, por meio de exercícios como o GTD do David Allen (foto abaixo), ou a prática do mindfulness e meditação. Assim como o Aron, que se conecta com a praia e a natureza. Atividades físicas também podem ser aplicadas aqui, como exemplos trazido pelo nosso time: corrida, futebol, artes marciais e sapateado. São momentos de introspecção, de relaxamento, onde a mente fica apenas direcionada a uma atividade muito específica. O que torna o processo criativo mais acessível e focado, permitindo controlar períodos de stress que bloqueiam a criatividade e dessa forma, alimentando a criatividade direcionada depois ao trabalho. A ideia de Charles Watson de estarmos atentos ao presente e ao raciocínio mais puro do nosso pensamento tem grande relação com ativar essa conexão interior.

 

Passos de aplicação da metodologia GTD, de David Allen.

 

Voltado para uma prática de maior abstração da realidade, mas por meio de experimentações, Daniel, psicólogo e sócio da Nômade, propõe um olhar poético sobre a vida, exercitando uma ampliação perceptiva. Uma atitude de "atenção flutuante" (conceito psicanalítico), que Charles Watson definiu como um "estado de presença". Nesse sentido, conecta diferentes experiências (os encontros e desencontros da vida) e desenvolve ensaios manifestados em diferentes formatos: textos, desenhos, pinturas, roupas e até intervenções em espaços públicos. Somado também ao Ato Poético, conceito de Alejandro Jodorowsky, que propõe desafiar a forma convencional de agir e reagir aos estímulos de "rituais" cotidianos. Como, por exemplo: mudar a forma como calça os tênis ou mudar a rota de deslocamento até um lugar conhecido. Cada pessoa propõe sua forma de realizar os Atos Poéticos, são atividades íntimas. Essas práticas além de auxiliarem a manter a mente em movimento, contribuem para fortalecer um sentimento de "estar vivo".

 

A base da curiosidade é a busca constante, uma sede por descoberta de informações. Essa busca tem grande contribuição para manter a mente em movimento. Como consultoria, que trabalha com diferentes empresas, e consequentemente diferentes contextos e mercados, cada projeto é uma descoberta, uma camada adicionada e uma nova forma de ver o mundo. Uma das maneiras de trazer um olhar diverso é ver como algumas problemáticas são abordadas em um contexto diferente do que estamos discutindo. Isso ajuda na realização de analogias, ir desencadeando as informações e ir fazendo conexões.

 

Na Nômade, nossos projetos já partem da ideia de que o briefing do cliente é uma concepção inicial. Ele nunca está acabado, nem é suficiente. É um ponto de partida, de onde  iniciamos um processo especulativo de investigação, o trabalho vai tomando forma na medida em que vamos testando hipóteses conforme as diferentes variáveis que emergem do contato com o problema e suas possibilidades de solução. Nos envolvemos com o projeto por meio de pesquisas de materiais, documentos, entrevistas, diálogos criativos, observações de contexto, mapeamentos de processos, entre outras técnicas. As ideias vão tomando forma na medida em que reconhecemos os elementos e suas dinâmicas de interação.

 

Trazer um olhar diverso aos projetos é essencial, e uma maneira de fazer isso é ver como algumas problemáticas são abordadas em um contexto diferente do que estamos discutindo. Por isso, nosso processo acaba sendo um trabalho muito colaborativo, internamente e com clientes e parceiros. Isso faz parte da construção de um "flow", onde cada pessoa contribui com seu olhar, traz suas considerações, e sente-se autor do que está sendo construído, mesmo quando o projeto é de realização individual. A constante convivência com pessoas de diferentes áreas traz o desafio e o erro à tona, pois possibilita que estejamos sempre treinando sair das zonas de conforto de nossos próprios processos criativos, e por tanto, traz também a descoberta de novos formatos de criação.

 

A partir destes exercícios de reflexão, como o que tivemos após nosso evento com o Charles Watson, conseguimos perceber cada vez mais a importância de valorizar nossos processos criativos conjuntos e individuais, e assim, constantemente nos policiar para não engessá-los em virtude de entregas e prazos. Burocracias não valorizam a "tentativa e erro", a realização de centenas de testes e o gasto de tempo em alternativas. O entendimento do valor do processo e do espaço do erro é o que nos leva em direção às possibilidades de inovação nas nossas entregas. E, por isso, é essencial estarmos sempre focando em trocar mais, testar mais e errar mais.

 

 

Esse texto foi escrito pela Ana Copetti e enviado para quem assina o Gulliver, a newsletter da Nômade.

 

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